Músicos de São Vicente denunciam “monopolização” da Academia Jotamonte
Artistas e agentes culturais do Mindelo acusam o gestor da Academia Jotamont, Francisco “Kikas” Silva, e o seu grupo musical Serenata de se servirem do espaço para “fazer negócio em proveito próprio”. A única sala de espectáculos pública da ilha, dizem, está reservada durante todo o ano para aquela banda. O caso é do conhecimento da Câmara Municipal de São Vicente, que nada faz para pôr fim a este monopólio.
“Quando vamos marcar um evento, somos informados pelo Kikas de que o grupo Serenata já reservou a Academia Jotamont para todo o ano. É uma injustiça, já que aquela sala é de todos os sanvicentinos”, criticam artistas e agentes culturais mindelenses.
Sob anonimato estes afirmam que Kikas, que é também funcionário da Câmara Municipal de São Vicente, usa o espaço a seu bel-prazer e faz dele um negócio próprio. “É um negócio bem montado. Qualquer espectáculo na Academia tem de ter o suporte do grupo Serenata., não há chances para outros. Mais: quem quer fazer shows paga ao Kikas, não à Câmara Municipal”.
Os descontentes alegam ainda que o caso já é do conhecimento da Câmara Municipal, que contudo se mantém “passiva”. “A CMSV conhece a situação e faz vista grossa. Como é possível não saber que o Serenata goza de exclusividade na hora de dar suporte musical aos espectáculos na Academia Jotamont? E por que razão o grupo do Kikas goza da prerrogativa de usar o espaço durante um ano inteiro?”, questionam.
Para Francisco “Kikas” Silva, as acusações são falsas e vêm de pessoas com “dor de cotovelo”. “As requisições são endereçadas ao vereador da Cultura, mas antes seguem para o sector de património, onde trabalho, e verificamos a disponibilidade. Consoante a nossa avaliação, o vereador autoriza ou não. Se para o dia que querem fazer espectáculo já estiver marcado outro evento, têm de escolher outra data”, explica o músico e funcionário da CMSV.
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